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A Lei de Ohm: Como Tensão, Corrente, Resistência e Potência Se Relacionam

17 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Em 1827, o físico alemão Georg Simon Ohm publicou um artigo com um nome quase impronunciável — “Die galvanische Kette, mathematisch bearbeitet” — que, apesar de inicialmente mal recebido pela comunidade científica da época, se tornaria uma das leis mais importantes de toda a eletricidade. Duzentos anos depois, é essa mesma lei que permite a um eletricista calcular se a fiação da sua casa é segura, ou a um engenheiro decidir corretamente quantos ampères um disjuntor deve suportar.

Neste artigo, você vai entender a Lei de Ohm, como as quatro grandezas elétricas se conectam através de fórmulas simples, e vai ver exemplos práticos de como aplicar cada uma delas.


O Experimento Que Deu Origem à Lei

Georg Ohm realizou experimentos meticulosos com circuitos elétricos e descobriu algo que parece óbvio hoje, mas era revolucionário na época: a corrente que flui através de um condutor é diretamente proporcional à tensão aplicada e inversamente proporcional à resistência do próprio condutor. Ou seja, mais tensão empurra mais corrente; mais resistência freia essa mesma corrente.

Essa relação, hoje batizada de Primeira Lei de Ohm, se resume em uma fórmula simples:

V = I × R

Onde V é a tensão (em volts), I é a corrente (em ampères) e R é a resistência (em ohms).

Foto: Gerada por IA

A Fórmula Que Se Reorganiza Em Três Formas

A grande utilidade da Lei de Ohm é que ela pode ser reorganizada para calcular qualquer uma das três grandezas, dependendo do que você já sabe:

Para calcular a tensão: V = I × R

Para calcular a corrente: I = V ÷ R

Para calcular a resistência: R = V ÷ I

Exemplo prático: Um fio condutor tem resistência de 20 ohms, e por ele passa uma corrente de 5 ampères. Qual é a tensão aplicada?

V = I × R = 5 × 20 = 100 volts


Adicionando a Potência à Equação

A potência elétrica (P), medida em watts, entra no cálculo através de uma fórmula própria:

P = V × I

Combinando essa fórmula com a Lei de Ohm, é possível calcular a potência a partir de qualquer par de grandezas conhecidas — substituindo V por (I × R), por exemplo, chega-se a:

P = I² × R

Ou, substituindo I por (V ÷ R):

P = V² ÷ R

Exemplo prático: Se aplicarmos uma tensão de 12V a um resistor de 6 ohms, qual a potência dissipada?

P = V² ÷ R = 12² ÷ 6 = 144 ÷ 6 = 24 watts

Foto: Gerada por IA

A “Roda de Ohm”: Todas as Fórmulas em um Só Lugar

Uma forma prática de memorizar todas essas variações é organizá-las visualmente — o que os eletricistas costumam chamar de “roda de Ohm” ou “roda das fórmulas”:

Você quer descobrirSe você já sabe V e ISe você já sabe V e RSe você já sabe I e R
Tensão (V)——V = I × R
Corrente (I)—I = V ÷ R—
Resistência (R)—R = V ÷ I—
Potência (P)P = V × IP = V² ÷ RP = I² × R

Com qualquer duas dessas quatro grandezas em mãos, é possível calcular as outras duas — é justamente essa flexibilidade que torna a Lei de Ohm tão útil no dimensionamento de qualquer circuito elétrico.


Exemplo Prático: Verificando a Segurança de um Circuito Doméstico

Imagine uma residência que usa tensão de 127V, com um circuito projetado para suportar até 15A antes do disjuntor desarmar. Qual é a potência máxima que esse circuito consegue suportar com segurança?

P = V × I = 127 × 15 = 1.905 watts

Isso significa que, se você conectar aparelhos que somem mais de 1.905W simultaneamente nesse mesmo circuito, a corrente vai superar os 15A — e o disjuntor vai desarmar propositalmente, evitando que os fios sobrecarreguem e superaqueçam, o que poderia causar um incêndio.

Foto: Gerada por IA

A Segunda Lei de Ohm: O Que Determina a Resistência de um Fio

Vale conhecer também a Segunda Lei de Ohm, menos citada no dia a dia, mas igualmente importante: ela explica que a resistência elétrica de um material depende de suas propriedades físicas — comprimento, área da seção transversal e resistividade do material.

Na prática: fios mais longos têm mais resistência (mais difícil para a corrente passar), e fios mais espessos têm menos resistência (mais fácil para a corrente passar) — o que explica por que instalações elétricas de longas distâncias exigem fios mais grossos para compensar essa perda ao longo do percurso.


Nem Todo Material Segue a Lei de Ohm

Um detalhe importante: a Lei de Ohm só se aplica perfeitamente a materiais chamados “ôhmicos” — aqueles em que a razão entre tensão e corrente permanece constante, independentemente dos valores aplicados. A maioria dos resistores comuns se comporta assim, mas materiais não-ôhmicos (como diodos e certos semicondutores) têm uma resistência que varia dependendo da tensão aplicada, exigindo cálculos mais complexos que vão além da fórmula simples V = I × R.


Usando o Conversor de Eletricidade do CalculeConvert

Se você já sabe duas das quatro grandezas de um circuito — tensão, corrente, resistência ou potência — e precisa descobrir as outras duas rapidamente, o Conversor de Eletricidade do CalculeConvert aplica a Lei de Ohm automaticamente para você. Basta inserir os valores conhecidos, e a ferramenta calcula o restante sem precisar montar a fórmula manualmente ou lembrar qual variável isolar.


Conclusão

A Lei de Ohm, formulada há quase 200 anos, continua sendo a base de qualquer cálculo elétrico prático: tensão, corrente, resistência e potência estão sempre interligadas, e conhecer duas dessas grandezas é suficiente para descobrir as outras duas.

As fórmulas essenciais para guardar:

  • V = I × R
  • P = V × I
  • P = I² × R ou P = V² ÷ R

Entender essas relações não é só um exercício de física escolar — é o que garante que uma instalação elétrica seja dimensionada corretamente, evitando desde disjuntores desarmando sem motivo até riscos reais de curto-circuito e incêndio.


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Fontes