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Celsius, Fahrenheit e Kelvin: Quem São e Por Que Existem Três Escalas de Temperatura

12 de agosto de 2026 · 8 min de leitura

Você vê uma temperatura de 70°F em um site americano, mas isso te diz pouco. Se fosse 21°C, você entenderia melhor.

Ou está estudando Física e aparece uma temperatura em Kelvin (298K) e você fica confuso: “por que tem três formas diferentes de medir a mesma coisa?”

A resposta é mais interessante (e histórica) do que você imagina. Não existem três escalas porque são necessárias. Existem três escalas porque foram criadas por pessoas diferentes, em tempos diferentes, com objetivos diferentes.

Neste artigo, você vai conhecer os três cientistas por trás delas e entender por que o mundo não conseguiu se decidir por uma única forma de medir temperatura.


Daniel Fahrenheit: O Inventor do Termômetro de Mercúrio (1724)

Tudo começou com Daniel Gabriel Fahrenheit (1686-1736), um físico e engenheiro nascido em Danzig (atualmente Gdansk, na Polônia).

Fahrenheit é famoso por uma invenção importante: o primeiro termômetro de mercúrio funcional (1714). Até então, os termômetros usavam álcool, que era ruim porque não permitia medir temperaturas muito altas.

Mas Fahrenheit tinha um problema: se inventou um novo termômetro, precisava de uma escala para ele.

Como Fahrenheit Criou Sua Escala

Fahrenheit escolheu inicialmente uma mistura de gelo, água e sal de amônio como ponto de partida, marcando como zero. Depois, usou a temperatura do corpo humano como referência — que ele estimou em 96°F (na prática é ~98.6°F).

Por fim, estabeleceu que a água congela em 32°F e ferve em 212°F.

Por que esses números estranhos?

Bem, Fahrenheit queria evitar números negativos e decimais (que eram inconvenientes na época). Colocou o zero em uma temperatura muito fria (mistura de gelo e sal), e definiu a temperatura do corpo humano como referência humana significativa.

A escala Fahrenheit é usada principalmente:

  • Estados Unidos (o único país desenvolvido que ainda usa)
  • Bahamas, Ilhas Cayman, alguns lugares no Caribe

Foto: Pexels


Anders Celsius: O Astrônomo Sueco (1742)

Anders Celsius (1701-1744) era um astrônomo sueco que, dois décadas depois de Fahrenheit, resolveu criar sua própria escala.

Celsius tinha uma abordagem mais lógica e simples: por que não usar a água como referência? Afinal, água é universal — congela e ferve em todos os lugares.

A Escala Original de Celsius

Celsius criou uma escala baseada nos pontos de fusão e ebulição da água. Originalmente, ele definiu 0° como o ponto de ebulição e 100° como o ponto de congelamento.

Espera — isso está ao contrário? Sim!

Por que? Celsius acreditava que era mais intuitivo ter temperaturas maiores representando “mais frio”. Mas logo após sua morte, a escala foi invertida para o formato que conhecemos hoje (0°C = congelamento, 100°C = ebulição).

Por Que Faz Sentido

A escala Celsius é centígrada: há exatamente 100 graus entre congelamento e ebulição. Isso a torna mais fácil de trabalhar mentalmente.

É por isso que o mundo (exceto os EUA) adotou Celsius. É simples, lógico, baseado em um ponto de referência universal.

A escala Celsius é usada:

  • Brasil, Europa, quase todo o mundo
  • Padrão para a maioria das aplicações cotidianas

Foto: Unsplash


William Thomson (Lord Kelvin): A Escala Científica (1848)

William Thomson, mais conhecido como Lord Kelvin (1824-1907), era um físico britânico que olhou para as duas escalas anteriores e pensou: “ambas estão erradas.”

Não porque fossem imprecisas, mas porque ele percebeu algo fundamental: há um limite inferior para a temperatura — o “zero absoluto”.

O Conceito de Zero Absoluto

Lorde Kelvin acreditava na importância de existir uma escala termométrica que atribuísse um zero absoluto, ou seja, uma temperatura em que qualquer partícula está no menor grau de agitação possível. A partir de estudos, cálculos e extrapolações gráficas, ele encontrou que essa temperatura ocorria a aproximadamente -273ºC.

Em outras palavras: em Celsius, -273°C, toda atividade molecular cessa. Nenhuma partícula vibra. Nada pode ser mais frio.

A Escala Kelvin

Kelvin decidiu criar uma escala onde:

  • 0K = zero absoluto (aproximadamente -273,15°C)
  • Não há temperaturas negativas
  • Os intervalos são iguais aos da escala Celsius (1K = 1°C em diferença)

Convertendo:

  • Congelamento da água: 273,15K
  • Ebulição da água: 373,15K
  • Temperatura corporal: ~310K

Por que Kelvin?

Porque em Kelvin, equações matemáticas e físicas funcionam corretamente. Na física, temperaturas absolutas são necessárias para cálculos precisos (termodinâmica, lei dos gases, etc).

A escala Kelvin é usada:

  • Ciência, pesquisa, laboratórios
  • Sistema Internacional de Unidades (SI)
  • Qualquer cálculo de física que envolva temperatura

Foto: Pixabay


Por Que Três Escalas? Por Que Não Uma?

Boa pergunta. A resposta é histórica e prática.

Razões Históricas

Cada escala foi criada em um contexto diferente, por cientistas diferentes, antes da ideia de “padronização global” fazer sentido.

Quando Fahrenheit criou sua escala (1724), não havia comunicação fácil entre países. Quando Celsius criou a sua (1742), a Europa já tinha estabelecido Fahrenheit em alguns lugares.

Quando Kelvin criou a sua (1848), o mundo científico adotou — mas o mundo comum já tinha suas escalas.

Razões Práticas

Cada escala é melhor para algo específico:

  • Fahrenheit: Cobre bem a variação de temperatura humana (0-100°F são temperaturas comuns). Alguns defendem que é mais intuitiva para clima.
  • Celsius: Lógica, baseada em água, centígrada. Melhor para educação e uso geral.
  • Kelvin: Necessária para ciência e equações que requerem valores absolutos.

Por Que Os EUA Não Muda?

A pergunta que não quer calar: por que os Estados Unidos ainda usam Fahrenheit?

Razões práticas:

  • Inércia histórica: Reino Unido colonizou os EUA com Fahrenheit. Quando o Reino Unido mudou para Celsius (1960s), os EUA já tinham toda infraestrutura industrial, educação e vida cotidiana enraizada em Fahrenheit.
  • Custo de transição: Mudaria sinais de rua, educação, indústria. Seria caro e confuso.
  • Tradição: Americanos argumentam que Fahrenheit é melhor para clima porque 0-100°F cobre a variação típica de temperaturas humanas.

Comparação Rápida

EscalaCriadorAno de CriaçãoPonto ZeroÁgua CongelaÁgua FerveUso Principal
FahrenheitDaniel Gabriel Fahrenheit1724−459,67°F32°F212°FEUA, Caribe
CelsiusAnders Celsius1742−273,15°C0°C100°C Mundo inteiro
KelvinWilliam Thomson (Lord Kelvin)18480K (zero absoluto)273,15K373,15K Ciência, SI

Conversões Rápidas

Se precisar converter:

Celsius para Fahrenheit:
°F = (°C × 9/5) + 32

Fahrenheit para Celsius:
°C = (°F − 32) × 5/9

Celsius para Kelvin:
K = °C + 273,15


Usando a Ferramenta de Conversão de Temperatura

Se você quer converter rapidamente entre as três escalas sem fazer contas mentais ou manualmente, a ferramenta de conversão de Temperatura do CalculeConvert ajuda bastante. Você insere um valor em Celsius, Fahrenheit ou Kelvin, e a ferramenta mostra a conversão para as outras duas escalas instantaneamente.

O legal é que você pode entender visualmente como as escalas se relacionam: quando vê que 0°C = 32°F = 273,15K, fica mais claro por que as três existem e como cada uma “vê” a mesma temperatura de forma diferente. A ferramenta também é útil em viagens (convertendo temperatura local) ou em estudos de física (convertendo para Kelvin para cálculos).


Conclusão

Fahrenheit foi criado por um inventor de termômetros que queria evitar números negativos.

Celsius foi criado por um astrônomo que percebeu que água é uma referência universal melhor.

Kelvin foi criado por um físico que percebeu que ciência precisa de valores absolutos.

Nenhuma delas é “errada”. Cada uma é melhor para seu propósito.

O mundo não se padronizou em uma porque, bem, história é complicada. Mas se você entender que as três medem a mesma coisa de formas diferentes, qualquer conversão fica fácil.

Próxima vez que ver 70°F, 21°C, ou 294K — saiba que é exatamente a mesma temperatura, só descrita por três cientistas que nunca se combinaram.


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Fontes